“Matar um leão por dia”. Essa máxima esconde uma visão um tanto quanto cruel da nossa realidade nas organizações. Aos poucos nos acostumamos – porque o mercado aprova e aplaude – a enfrentar ambientes corporativos com rivalidade, senso de competição e politicagem. Sob o manto do “sucesso”, o resultado que obtemos é indefetivelmente ligado ao estresse, à exaustão, depressão e apatia.  Diante desse cenário onde a maioria conformista age, surgem sempre alguns iluminados – aleluia! – que ousam se perguntar: será que nós, seres humanos tão evoluídos, não conseguimos transformar tudo isso?

Foi essa pergunta que fez morada na mente do talentoso Frederic Laloux. Ele tomou emprestado os conceitos de estágios de consciência da evolução humana propostos por filósofos como Ken Wilber e nos presenteou com uma pesquisa minuciosa para provar a possibilidade real de um novo estágio, correspondente ao nível de “autorrealização” de Maslow, chamado de “Evolutivo Teal”.

O raciocínio é simples, porém, transformador e se baseia na convicção de que a maior revolução do século 21 não terá origem na tecnologia e sim, na expansão do significado de “ser humano”. Ao longo da sua jornada, a humanidade se reinventou várias vezes, cada uma delas com impactos significativos na economia, na religião, nas estruturas de poder e na organização da sociedade. Portanto, cada transição para um novo nível de consciência trouxe consigo, uma nova forma da humanidade se reunir para trabalhar e produzir. Ou seja, cada vez que mudamos nossa visão do mundo, criamos novas organizações, sempre mais poderosas.

Com esse conceito, Laloux em seu livro “Reiventando as Organizações” faz uma análise evolutiva e apresenta as “Organizações Vermelhas” (com autoridade de comando); as “Organizações Âmbares” (com papéis formais e instalação de processos); as “Organizações Laranja” (onde prevalece o conceito de meritocracia e inovação) até chegar nas “Organizações Verdes”, onde prevalece a cultura voltada para valores e o empoderamento dos stakeholders. Mas ele faz mais: nos apresenta o novo estágio “Evolutivo Teal”.

Isso muda tudo, é uma verdadeira revolução, uma mudança de paradigma. Não é futuro: o trabalho primoroso de Laloux apresenta exemplos de organizações que adotaram com sucesso esse modelo de gestão baseado em 3 pilares: a Autogestão (sistema baseado em relações entre pares, sem a necessidade de hierarquia); a Integralidade (práticas que estimulam a trazer o verdadeiro “Eu” para dentro das organizações, incluindo emoção, intuição e espiritualidade) e por último, o Propósito Evolutivo (organizações com senso de direção compartilhado).

 

Acha idealista? Fora da nossa realidade? Talvez. Mas quem ousa duvidar da capacidade que o ser humano tem de experimentar o impossível.